Mostrando postagens com marcador Bonecas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bonecas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

As bonecas Africanas não são simplesmente brinquedos…

boneca africana.jpg

Sabia que as bonecas Africanas não são simplesmente brinquedos…..

As bonecas Africanas possuem um significado bastante diferente e é utilizada com uma finalidade bem determinada. As produzidas tradicionalmente são utilizadas para representar pessoas falecidas e entes queridos como também para agradecer aos deuses pela boa saúde, riqueza, as boas colheitas e incentivar a fertilidade.  A beleza não é coisa “natural”, mas “cultural”; uma lenda Ashanti conta que há muitos anos uma mulher grávida, um dia, esculpiu e aprimorou uma linda estatueta de madeira. Trouxe-a consigo durante meses, até dar à luz uma menina muito linda, semelhante à estatueta que havia esculpido. Desde então, todas as mulheres grávidas andam com uma estatueta às costas, que reproduz as formas anatômicas “perfeitas”, pelo menos segundo as tradições de beleza próprias da cultura, apostando em influenciar na estrutura física da criança que vai nascer.

Para maiores informações, outras visualizações e histórias, clique no Acervo contido no Repositório da UFSC.

KM

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Bonecas...

Fui uma menina apaixonada por bonecas. Havia as de pano, com vestidos de chita; as de rosto de louça; a de plástico, com cachos loiros, quase do meu tamanho, um sonho. Eu cuidava bem delas, penteava, colocava nos berços e carrinhos, pois eram os filhos que já desejava ter. Também eram minhas alunas. Eu as colocava em fileiras, fazia chamada no diário de classe, escrevia com giz palavras num quadro-negro e imaginava que elas eram capazes de soletrar. Avaliava sua atenção estática como prova de percepção e inteligência.
 Quando li o Sítio do Picapau Amarelo, identifiquei-me com a Emília, a boneca de trapo, a princípio feia e muda que, a partir do momento que ingeriu uma pílula, passou a falar pelos cotovelos. Criatura atuante e impositiva que dominou o próprio criador, Monteiro Lobato. Acompanhei toda a evolução da boneca: as mutações, as tolices, as curiosidades, o espírito de crítica. Não sei em que livro da coleção, quando lhe perguntam: “_ Mas quem você é, afinal de contas, Emília?” Ela respondeu de queixinho empinado: “_ Sou a Independência ou Morte.” A independência, a liberdade, a autonomia, o bem-estar, o poder de tomar as próprias decisões. Eu me achava a própria. Quanto desassombro e orgulho. Hoje, adulta e envelhecida, tornei-me pequena e dependente de algo superior que me guia. O fato  é que me diverti tanto com a Emília: o casamento dela com o porco Marquês de Rabicó; as aventuras com a chave do tamanho que fazia os insetos tomarem proporções gigantescas; as aventuras com o rinoceronte Quindim; as conversas com o anjo caído do céu; as peripécias pelas terras da Grécia Antiga com figuras míticas como Hércules e o Minotauro. Cavalguei nas caudas dos cometas com minha boneca Emília.
 As bonecas também podem ser assustadoras, sinistras, ameaçadoras. Na feitiçaria são usadas para representar pessoas trespassadas com alfinetes para causar dores e danos. Assumem a voz dos ventríloquos e os enlouquecem com sentimentos que não ousariam expressar abertamente.
 Ao sul da Cidade do México, onde a morte é sempre vista numa mistura de flores e crânios, há um lugar misterioso chamado Ilha das Bonecas. No meio dos canais e dos nenúfares, uma espécie de santuário mal-assombrado tem bonecas penduradas em paredes, árvores e varais que vão se desgastando com o tempo, perdendo a beleza e a inocência e se transformando em objetos terríveis, lambuzados de sangue e poeira. Conta-se que um antigo morador da ilha ouviu falar que uma jovem havia se afogado no rio. Quando viu uma boneca flutuando, tomou isso como sinal, resgatou o brinquedo para agradar o espírito da menina. Uma boneca só não foi suficiente oferta e milhares se juntaram a ela, num cenário de filme de terror. Há choros e gritos de quem perdeu as filhas naquelas águas.
 E quantas meninas, corpos de bonecas, agarradas ainda a suas bonecas, são vítimas de violência sexual, agredidas dentro de suas casas por pessoas manipuladoras, predadoras, que escolhem a vítima mais tímida, mais quieta e atacam o alvo fácil, a pombinha cálida, com suas garras de abutres abusadores.
 A Casa de Bonecas, peça teatral do dramaturgo norueguês, Henrik Ibsen, em meados do século XIX, gerou polêmica e debates no mundo todo. O difícil tema da exclusão das mulheres. O relacionamento entre Nora e o marido Helmer parecia perfeito. Ele a chamava de “cotovia”, “esquilo”, “minha menininha”. Ela era mimada, infantil, uma criança grande, sem responsabilidade. Um dia, no intuito de agradar e ajudar financeiramente o marido, Nora envolve-se numa fraude bancária. O banqueiro a chantageia. O marido, ao descobrir, fica furioso e a julga uma pessoa sem caráter. Depois, arrependido, pede-lhe perdão. Mas a ilusão se rompera: a filha-boneca, a esposa-boneca torna-se uma mulher decepcionada. Abandona o marido e os filhos e vai embora sozinha para compreender a si e ao mundo. Declara que só voltará se acontecer um milagre: a transformação profunda de suas almas para uma verdadeira vida em comum. Partiu em busca da maturidade. Boneca fria.
 E há homens tão solitários que se contentam com a companhia de uma boneca daquelas feitas sob encomenda para o sexo. É a história contada no intrigante filme A Garota Ideal, sob a direção de Craig Gillespie. Lars mora na garagem da casa de seu irmão. Não gosta de sair. Um dia avisa que trará Bianca, sua namorada, para o jantar. Explica que ela não fala inglês, que não anda, que precisa de uma cadeira de rodas. O irmão e a cunhada ficam felizes com a notícia e arrumam o quarto de hóspede. Lars aparece com a namorada e descobrem que ela é uma boneca. Tudo estranho, bizarro, mas muito delicado. Delicado entender como é difícil, às vezes torturante, a sede de amar e ser amado.
 Guardo minhas bonecas em prateleiras iluminadas, em baús chaveados no meu coração. Fui mãe, professora, poeta observada pelo jogo dos olhos azuis de vidro das minhas bonecas.

                                              


Raquel Naveira - Escritora, Doutora em Língua e Literatura Francesas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Crepereia Tryphaena: uma tataravó da Barbie?


Crepereia Tryphaena: uma tataravó da Barbie?

Telma Anita Piacentini

Resumo

Encontramos vestígios da boneca como imagem representativa na vida do ser humano desde o paleolítico. Em diferentes épocas e, consequentemente, em diferentes sociedades, a boneca, ídolo ou brinquedo, comporta-se como uma representação de um momento de aprendizado do papel social na sociedade que em que se vive. Chegamos ao século XXI convivendo com a boneca brinquedo, representada fortemente por muitas bonecas, mas é inegável a presença da Barbie na “formação lúdica” de nossas meninas. Essas representações, porém, perpassam séculos e nos reportam às imagens de bonecas de outras épocas, significativas na história social desse brinquedo. Crepereia Tryphaena, a boneca da Vestal Cossina e da Menina Imperatriz Maria, pontuam significados atuais desse princípio educativo. Podemos questionar se essas bonecas - eternas - configuram-se como tataravós da Barbie de nossos dias.

Palavras-chaves: Representação lúdica ,  brinquedo ,  papel social , princípio  educativo

Leia o texto completo disponibilizado no Scribd,clicando aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Bonecas negras ensinam a combater o racismo brincando


Bonecas negras ensinam a combater o racismo brincando

O racismo e a vontade de se ver representada levaram Ana Júlia dos Santos a usar sua arte como forma de expressar as especificidades da população negra brasileira. Há 15 anos, a artesã faz bonecas negras, que subvertem o estereótipo “nega maluca” e fornecem novas armas para o combate ao preconceito.

Ana Fulô, como é conhecida, conta que foram poucos os brinquedos durante sua infância, mas lembra de “nunca ter tido uma boneca negra”. Talvez, mais marcante do que a falta de referências ainda quando pequena tenha sido o relato de uma de suas netas sobre um trabalho de escola em que deveria montar uma “bonequinha”.

“A professora disse ‘Agora quando você fizer a boneca negra, você põe um pedaço de Bombril [esponja de aço] para imitar o cabelo dela’. Ouvi esse relato da minha neta. A minha filha ficou mal, se dirigiu à professora e questionou isso. Foi retirado o trabalho. Não foi feito mais.”

Coincidentemente, com a experiência de racismo vivida pela neta, Fulô explica que procurou uma feira para expor seu artesanato, mas não havia mais vagas. Então, a coordenadora do espaço sugeriu que ela fizesse bonecas negras, pois a artesã que desenvolvia esse trabalho havia falecido. Neste encontro de situações, Fulô deparou-se com a oportunidade de expressar sua identidade e combater o racismo.

“Eu notei que as meninas negras brincam com as bonecas brancas, mas nem sempre as meninas brancas brincam com as bonecas negras. Então, eu quis tirar aquela maneira da pessoa tratar a boneca negra como a ‘nega maluca’. Eu quis fazer as meninas bonitas. Então, eu comecei a trabalhar nesse sentido até para elevar a autoestima das nossas crianças e mostrar para elas que os brinquedos delas podem ser tão ou mais bonitos que os outros.”

Olhos claros, pele escura

No circuito das grandes lojas de brinquedos são raras as bonecas negras. E quando estão presentes, geralmente trazem traços característicos de pessoas brancas, alterando apenas a cor da pele. Dessa forma, fabricantes de brinquedos não se intimidam em apresentar bonecas negras com olhos verdes ou, ainda, reforçar preconceitos com a reprodução de estereótipos.

Artesã e professora do Ensino Fundamental, Lúcia Makena faz bonecas negras há mais de dez anos. Ela avalia que o mercado formal de brinquedos não demonstra interesse em conhecer e representar a população negra.

“A indústria, eu acredito que quando ela faz uma boneca negra, ela não está muito preocupada com a questão da identidade e da cultura. Eu acho que eles só colocam tinta marrom e pronto, né. E a preocupação que eu acho que as empresas deveriam ter é de pensar quem é esse povo negro, qual é essa cultura, qual o seu modo de ver a vida, o que é importante para eles, e eles [as empresas] não se preocupam com isso.”

Arte-educadora, Lúcia ainda destaca a importância do trabalho para a educação das crianças na questão da diversidade étnico-racial. “Eu acredito que os brinquedos fazem parte desse processo de formação das crianças. Então, você tem que fazer bonecas contemplando as etnias. Não pode a criança passar a vida inteira comprando bonequinhas loiras, loiras, loiras, se muitas vezes elas não são loiras e muitas vezes elas não vão se identificar com aquilo. Vai trazer uma impressão de que a sua referência de beleza é outra.”

Brincadeira séria

Assim como Makena, Fulô considera fundamental a função educacional dos brinquedos. “Nenhuma criança nasce preconceituosa. Isso é coisa que vão colocando na cabecinha dela. Eu acho que a partir do momento que ela começa a brincar, ela tem um entendimento da diversidade de raça. Coloca as duas para a criança brincar, se a gente percebe que ela não integra a boneca negra nas brincadeiras, então, ali tem algum problema. Aí é que se começa a trabalhar a cabecinha da criança.”

Para Fulô, mais do que bonecas, suas criações são personagens que possuem histórias próprias. Juntamente com a arte do desenvolvimento de cada novo molde, roupas e outros adereços que acompanham suas meninas, ela pensa também na identificação de cada boneca. Assim, costuma presentear quem compra seu trabalho com textos sobre o que ela imagina para cada menina.

Reproduzido por CEERT de Brasil de Fato
27 dez 2013


Acompanhe Lúcia Makena no Facebook, clicando aqui.

domingo, 17 de julho de 2011

Bonecas: Judy Garland cantando "Beautiful Doll"...


Oh, You Beautiful Doll

Hon-ey dear, Want you near,
Just turn out the light
and then come ov-er here,
Nes-tle close Up to my side,
My hear-t's a fire
With love's de-sire.
In my arms, rest com-plete,
I nev-er thought that life
could ev-er be so sweet Till
I met you, some time a go,
But now I know I love you so.

Oh! you beau-ti-ful doll,
you great big beau-ti-ful doll!
Let me put my arms a-bout you,
I could nev-er live with-out you;

Oh! you beau-ti-ful doll,
you great big beau-ti-ful doll!
If you ev-er leave me how my heart will ache,
I want to hug you but I fear you'd break

Oh, oh, oh, oh,
Oh, you beau-ti-ful doll!

Prec-ious prize, Close your eyes,
Now we're goin' to vis-it
lov-er's par-a-dise, Press your lips
A-gain to mine, For love is king

Of ev'-ry thing. Squeeze me dear,
I don't care! Hug me just as
if you were a griz-zly bear
This is how I'll go through life,
No care or strife When you're my wife.

Oh! you beau-ti-ful doll,
you great big beau-ti-ful doll!
Let me put my arms a-bout you,
I could nev-er live with-out you;

Oh! you beau-ti-ful doll,
you great big beau-ti-ful doll!
If you ev-er leave me how my heart will ache,
I want to hug you but I fear you'd break

Oh, oh, oh, oh,
Oh, you beau-ti-ful doll!





"For me and my Gal"
1942
Direção: Busby Berkeley
Com Lucille Norman and George Murphy.